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Coisa DOIDA!


Reflexão

“Todo mundo ‘pensando’ em deixar um planeta melhor para nossos filhos… Quando é que ‘pensarão’ em deixar filhos melhores para o nosso planeta?”reflexao
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Secretaria Municipal de Educação

Secretária: Elisamara Roxo Ramos

Endereço: Rua. Clóvis Pestana, 85
Telefone: 3471-2109
E-mail: gabineteeduca@bol.com.br
Portal da Educação: http://educacao.cachoeirinha.rs.gov.br
Horário de atendimento: das 9h às 17h

Telefones:
Gabinete - (51) 3441-3947
Recepção / Programas Especiais - (51) 3471-2109
Financeiro (fone/fax) - (51) 3471-6658
Regionais / EJA - (51) 3439-3188
Recursos Humanos - (51) 3469-3829
Coordenação Pedagógica - (51) 3471-6658
Coordenação Administrativa / Eventos - (51) 3439-1009
Biblioteca Pública (fone/fax) - (51) 3471-2610
Merenda Escolar (fone/fax) - (51) 3439-3188
CAEB / CIAM - (51) 3438-6947

Atribuições da Secretaria:
A Secretaria Municipal de Educação integra o Sistema Municipal de Ensino de Cachoeirinha, tendo como objetivo organizar, executar, manter, orientar, coordenar, controlar as atividades do poder público ligados à educação municipal. Através das políticas públicas de educação integral, viabiliza ocupação da comunidade escolar em turno e contra-turno, além de viabilizar e incentivar o desenvolvimento dos alunos em outras áreas tais como o projeto: ¿Música, Ação e Inclusão¿, e outras artes.


Passe Escolar

Documentos necessários:
- Atestado de Escolaridade
- Cópia da Certidão de Nascimento
- Original e Cópia do comprovante de residência atualizado (água, luz ou telefone no nome do responsável).
- Original e cópia do comprovante de renda de todos da família que forem maior de idade. Caso autônomo, declaração; se desempregao apresentar CTPS.
- Certidão de Nascimento de todos os dependentes que forem menor de idade.

Telefone para outras informações: (51) 3471.2109


Nutrição e Merenda Escolar

Este setor é responsável pela aquisição dos gêneros alimentícios, armazenamento, distribuição, elaboração de cardápios pelas nutricionistas responsáveis técnicas, onde é prezada uma alimentação balanceada com base nos alimentos "in natura" (frutas, verduras, hortaliças), proteínas, cereais e leguminosas.

O aluno recebe duas refeições por turno, no caso do Ensino Fundamental, e nas Escolas de Educação Infantil, que os alunos permanecem em turno integral, são fornecidas quatro refeições diárias. Nas Escolas Infantis também é realizado anualemnte uma avaliação do estado nutricional de todas as crianças nesta faixa etária, permitindo um acompanhamento individual do desenvolvimento da criança.

É promovido pelo setor um Curso de Atualização para Merendeiras sempre com temas atuais, buscando a reciclagem e permitindo um constante aperfeiçoamento do profissional.

Segue abaixo uma síntese da reportagem exibida no Jornal Diário Gaúcho, em 10 de outubro de 2002, onde a nutricionista Anajara Calliari Lacava, responsável técnica pela Merenda Escolar no município de Cachoeirinha, trabaha os alimentos pouco presentes na dieta das crianças em idade escolar. Esta reportagem tenta através de histórias e informações nutricionais incentivar nas crianças a criação de bons hábitos alimentares desde a infância.


Relação de endereço das Escolas Municipais

EMEF ALZIRA SILVEIRA ARAÚJO - EJA
Av: Atlântida, 296 - RS 118 - Km 10 - Vila Betânia
Fone: 3470-8098

EMEF ASSUNÇÃO
Rua: Maranhão, 633 - Vila Assunção
Fone: 3438-4871

EMEF CARLOS ANTONIO WILKENS - EJA
Rua: João Pedro De Alcântara, S/N Bairro Veranópolis
Fone: 3471-1533

EMEF CASTRO ALVES
Rua Luis Cardoso, 54 - Vila Eunice
Fone: 3471-2060

EMEF DAGMAR DE LIMA MUCILLO
Rua: Itaqui, 350 - Parque Da Matriz
Fone: 3469-7456

EMEF DEOLINDA CAETANO GOULART
Rua: Goitacaz, 56 - Monte Carlo
Fone: 3469-2761

EMEE LAMPADINHA - Educação Especial
Rua: Anápio Gomes, S/N - Bairro Veranópolis
Fone: 3470-5535

EMEF FIDEL ZANCHETTA - EJA
Rua: Pará, 2752 - Vila Fátima
Fone: 3469-5668

EMEF GETÚLIO VARGAS - EJA
Rua: Torres, 96 - Vista Alegre
Fone: 3469-2733

EMEF PRESIDENTE COSTA E SILVA
Travessa Nazaré, 576 - Vista Alegre
Fone: 3469-9397

EMEF GRANJA ESPERANÇA - EJA
Rua: Mário Da Costa Pereira, 2970
Fone: 3469-4116

EMEF JOSÉ VICTOR DE MEDEIROS
Rua: Lalau Miranda, 225 - Granja Esperança
Fone: 3469-5119

EMEF NATÁLIO SCHLAIN - EJA
Rua: Araçá, 130 - Vila Anair
Fone:

EMEF MARIA FAUSTA TEIXEIRA - EJA
Rua: Anita Garibaldi, 163 - Vila Márcia
Fone: 3471-2048

EMEF PAPA JOÃO XXIII
Rua: Antonio Bastos, 191 - Vila Márcia
Fone: 3470-5833

EMEF PORTUGAL
Rua: Espírito Santo, 693 - Vila Fátima
Fone: 3469-6254

EMEF TIRADENTES
Rua: Amazonas, 50 - Vila Anair
Fone: 3469-5845

EMEF VISTA ALEGRE
Rua: São Pedro, S/Nº - Vista Alegre
Fone: 3469-2188

EMEF PROF. OSMAR STUART
Rua: Vereador José Stuart Silva, 1015 - Vila Da Paz
Fone: 3470-1683


Relação de Escolas Municipais da Educação Infantil

EMEI CRIANÇA FELIZ
Rua: José Mendes, 25 - Cohab
Fone: 3471.70.12

EMEI CHAPEUZINHO VERMELHO
Rua: Xavantes,545 - Princesa Isabel
Fone: 3469.14.98

EMEI FADA MADRINHA
Rua: Atlântica, 1150 - Vila Betânia
Fone: 3470.80.20

EMEI Mª DA GLÓRIA RODRIGUES
Rua: Dona Cecília, 1230 - Vila City
Fone: 3439.2998

EMEI MENINO JESUS
Rua: Paranaguá, 137 - Vila Fátima
Fone: 3469.61.29

EMEI NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Rua: São João, 135, Vila Fátima
Fone:3 469.7389

EMEI GRANJINHA
Rua: André De Souza, S/Nº, Granja Esperança
Fone:


MOVA Cachoeirinha

Em Cachoeirinha, um dos Municípios da grande Porto Alegre, o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos-MOVA, foi assumido pela Secretaria Municipal de Educação e Pesquisa-SMEP. Para poder dar andamento a esta proposta, a Prefeitura contratou a Agência de Pesquisa e Intervenção Social ( APIS-UNICON ) do curso de Ciências Sociais da UNISINOS para fazer uma pesquisa. A mesma contou com o apoio de voluntários do Município que aplicaram os questionários, ficando a análise de dados a cargo dos pesquisadores da Universidade.
Foram encontrados um total de 416 pessoas não alfabetizadas ou semi-analfabetas no Município, numa amostragem de 10% (conforme dados do IBGE de 1991, que totalizava 4717 não alfabetizados). O mais importante é que estas pessoas desejam estudar, o que ficou evidenciado nos números da pesquisa. Dos 416 entrevistados, 364 disseram que desejam aprender a ler, isto é, 87,5% ( oitenta e sete vírgula cinco por cento ) dos não alfabetizados.
Os objetivos da pesquisa eram conhecer o perfil destes jovens e adultos e onde está a maior concentração dos mesmos, conhecer os seus interesses culturais, a sua situação social e econômica, o seu grau de analfabetismo, o tempo disponível para estudar e o interesse de participar de um projeto de alfabetização, enfim, um pouco da história de vida deste grupo social.
A proposição do governo Municipal de Cachoeirinha de enfrentar a problemática do analfabetismo de jovens e adultos com políticas públicas de combate à exclusão social já é uma realidade vivenciada nas escolas municipais que oferecem a modalidade da Educação de Jovens e Adultos -EJA- à comunidade local.

Priorizar esta demanda com políticas articuladas e de caráter permanente, deve ser a meta de um governo comprometido com a inclusão e a justiça social.

É com este objetivo que apresentamos à comunidade de Cachoeirinha, através deste caderno, o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos MOVA/CACHOEIRINHA, como uma política pública de inclusão social, que vinculada à Educação de Jovens e Adultos irá atender a demanda de pessoas não alfabetizadas, moradores do Município, que não chegaram à escola formal ou que dela foram excluídos.

Para tanto, a Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Educação e Pesquisa, chamará as entidades e a sociedade civil organizada, juntamente com os Educadores Populares indicados pelas instâncias envolvidas no programa, para um trabalho conjunto pela superação do analfabetismo em Cachoeirinha.

História do MOVA

O MOVA é um movimento de alfabetização idealizado por um grupo de educadores engajados na luta pela superação do analfabetismo e pela construção de um programa de escolarização básica de jovens e adultos, incorporando-se à luta geral pela escola pública e popular . À frente deste grupo estava o professor Paulo Freire, no ano de 1989, como Secretário Municipal de Educação de S. Paulo, no Governo de Luíza Erundina (1989-1992 ) .

Diferente de todos os programas de alfabetização implementados no Brasil até então, que tinham caráter de campanha e conteúdo político e pedagógico conservador, o MOVA compreende o analfabetismo como a expressão da pobreza , conseqüência inevitável de uma estrutura social injusta. O analfabetismo não é doença ou "erva daninha", como se costumava dizer. É a negação de um direito. O analfabetismo não é uma questão pedagógica, é uma questão essencialmente política. Dentro desta concepção, o MOVA, enquanto uma das modalidades da Educação de Jovens e Adultos, organizada no âmbito da escola não formal, propõe aos governos, à comunidade e à sociedade civil organizada, o debate político e pedagógico sobre o analfabetismo no Brasil.

O MOVA reúne as três condições básicas para que um programa de educação de jovens e adultos possa ter êxito: vontade política da administração pública, empenho e organização dos movimentos sociais e populares e apoio da sociedade . A base da sua dinâmica política e pedagógica está na parceria entre o Estado e os movimentos sociais, na educação como prática da liberdade e instrumento de transformação da realidade, na formação política e pedagógica dos educadores populares e na organização dos espaços não formais de aprendizagem.

Fundamentado na concepção de Educação Libertadora de Paulo Freire, o MOVA propõe um programa de alfabetização de adultos que parta das práticas concretas dos alfabetizandos, teorizando sobre as suas realidades e problematizando-as. Partindo do momento atual do educando, de suas expectativas, sua visão de mundo e do seu universo lingüístico, propõe-se uma alfabetização que seja capaz de contribuir não apenas para ler a palavra, mas, principalmente para transformar o mundo.

A partir da experiência do MOVA/SP diversas administrações populares implementaram o Programa, cada qual adaptando o Movimento à sua realidade local. Nesse sentido, Paulo Freire lembrava que as experiências históricas não podem ser transplantadas, mas sim, reinventadas. E desta forma a história do MOVA vem se constituindo em diferentes locais e sendo construída pelos diversos atores sociais que dela participam.

Por que implementar o MOVA?

O Censo realizado pelo IBGE em Cachoeirinha no ano de 1991 apontou a existência de 4717 pessoas analfabetas e também revelou a inexistência de classes de alfabetização de adultos no Município naquele período. Desde então, muito tempo se passou sem que houvessem ações concretas no sentido de reduzir tamanho quadro de exclusão.

Conforme a Declaração Mundial de Educação para Todos, a década de 90 seria a década da Educação e sua principal meta deveria ser a redução do analfabetismo nos países do terceiro mundo.

Para as administrações populares, reverter o quadro da exclusão social dentro de uma sociedade estruturalmente injusta e desigual é um grande desafio. Reduzir, significativamente o analfabetismo, é um compromisso político assumido pelo governo Democrático e Popular.

Através da implantação do MOVA/CACHOEIRINHA a Prefeitura Municipal está assumindo o papel de indutora e articuladora desta demanda, somando-se ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, pioneiro na implantação de um programa de alfabetização de jovens e adultos, através do MOVA/RS, construindo, assim, a culltura da alfabetização para Cachoeirinha.

Durante o ano de 2002 a Secretaria Municipal de Educação - SMEP, realizou uma pesquisa sobre o perfil dos analfabetos e sua localização no município de Cachoeirinha. Para viabilizar esta proposta, a prefeitura contratou a Agência de Pesquisa e Intervenção Social (APIS-UNICON) do curso de Ciências Sociais da UNISINOS, que garantiu a assessoria técnica ao trabalho realizado.

Foram encontrados um total de 416 pessoas não alfabetizadas ou semi-analfabetas no município, numa amostragem de 10% (conforme dados do IBGE de 1991, que totalizava 4717 não alfabetizados). O mais importante é que estas pessoas desejam estudar, e grande parte delas já passaram metade de suas vidas desejando aprender a ler e a escrever. O objetivo da pesquisa era conhecer o perfil sócio-cultural dos analfabetos e onde se encontram em maior número, além do tempo que dispõem para estudar e o interesse de participarem de um projeto de alfabetização.

Após a tabulação dos dados, constatou-se que o bairro Anair, além de ser o mais populoso do município, é também o bairro com maior número de analfabetos. Os bairros com menor número de analfabetos localizados são Imbuy, Jardim do Bosque, Marechal Rondon e Parque da Matriz.

Constatou-se que, enquanto 139 pessoas (33,41% dos entrevistados) assistem novelas, apenas 7 (1,68% dos entrevistados) vêem programas de entrevistas. A maior parte dos entrevistados, 51,44%, não responderam quando perguntados sobre o trabalho que realizam atualmente, enquanto 14,18% afirmam que são trabalhadores autônomos. Com relação a moradia, 57,69% residem em terrenos que foram ocupados, retratando o grande número de moradores em situação irregular. No que se refere a cultura e lazer, a maioria dos entrevistados têm interesse em fazer alguma atividade relacionada à música ( 163 pessoas, com 39,18% ). As atividades que seguem em ordem de preferência são o esporte e a dança. Poder dispor de mais praças e parques é também um desejo expresso pela maioria dos entrevistados, assim como participar e usufruir de feiras livres nos bairros.

A SMEP e o governo municipal como um todo, têm assim um perfil dos interesses destes moradores para elaborarem projetos nas áreas de cultura, lazer, esporte, geração de trabalho e renda e outros, buscando de forma integral a inclusão social dos jovens e adultos não alfabetizados moradores de Cachoeirinha.

Vivências do censo da alfabetização

"Cada palavra ,ainda que esteja carregada de séculos, inicia uma página em branco e compromete o mundo." (Jorge Luís Borges)

Os relatos de diferentes situações vivenciadas e observadas durante a pesquisa, ora foram registrados nas páginas dos questionários como notas de roda-pé (a isto chamamos diário de campo), ora foram comentados oralmente pelos pesquisadores durante as reuniões de revisão e planejamento semanal do Censo. A partir destes registros escritos e orais, selecionamos algumas vivências e alguns apontamentos que podem ser emblemáticos da realidade vivenciada por algumas famílias, e, até mesmo, por algumas comunidades em que observou-se a persistência de um mesmo fator, levando-nos a possibilidade de refletir sobre o tema.

Na vila Jardim Bethânia, por exemplo, foram entrevistadas 18 (dezoito) pessoas não alfabetizadas que dispuseram-se a falar sobre o assunto e foram solícitas em preencher o questionário, porém, 19 pessoas negaram-se a participar da pesquisa mesmo admitindo que tinham dificuldades, ou, não sabiam ler e escrever. Na verdade, o número de pessoas jovens e adultas não alfabetizadas moradoras da vila Bethânia seria mais do que o dobro do número apontado pela amostra realizada no Censo da Alfabetização caso não houvesse a resistência de muitas delas em falar sobre o assunto. Considerando que a postura revelada por várias pessoas não alfabetizadas diante da sua própria problemática(o analfabetismo) não é um comportamento exclusivo dos moradores da vila Jardim Bethânia, imagina-se a quantidade de pessoas não alfabetizadas que escapam aos números oficiais que apontam os índices de analfabetismo no Brasil atualmente.
Outra situação comum durante a pesquisa foi a existência de mais de uma pessoa não alfabetizada na mesma família. Houve, inclusive, o registro de um caso onde toda a família é não alfabetizada. Da mesma forma, detectou-se em várias situações a existência de jovens e adultos Portadores de Necessidades Educativas Especiais que nunca freqüentaram a escola ou tiveram contato com um projeto de alfabetização.
O relatório do Censo também aponta a relação entre o analfabetismo e as questões de gênero. A maioria das pessoas não alfabetizadas que foram entrevistadas são mulheres. Neste sentido, um dos relatos que tornou-se extremamente comum nas reuniões dos pesquisadores foi o das mulheres que desejam alfabetizar-se mas são impedidas pelos seus maridos. Em alguns casos observou-se que a dependência chega ao ponto de o marido, colocando-se na condição de porta-voz da esposa, responder às perguntas direcionadas a ela com mais autoridade que ela mesma. Numa destas ocasiões, a esposa, antes de responder à pesquisadora, perguntava absolutamente tudo ao seu marido, inclusive a própria idade.

Outra situação que é comum às mulheres não alfabetizadas é a de abdicar do convívio social por sentirem-se inseguras, humilhadas e dependentes do marido ou da família. A mesma pessoa entrevistada apontou duas situações que a fizeram optar por sair de casa o menos possível. Uma delas é o fato de ter ouvido por diversas vezes desaforos de motoristas de ônibus impacientes com os seus pedidos de informação sobre o destino do veículo. A outra deve-se a um episódio vivenciado dentro de um supermercado quando ela perguntou a um rapaz sobre o conteúdo de um produto descrito na embalagem. Após lhe informar, o rapaz aconselhou-a a comprar um óculos ou então aprender a ler.
Depoimento comovente foi o de uma senhora de setenta e poucos anos, mãe de uma filha e tutora de dois netos, que emocionada contou boa parte da sua história de vida. Disse que tinha o sonho de ser contadora, que sempre gostou de cálculos e explicou à pesquisadora a lógica do seu pensamento matemático, mesmo nunca tendo aprendido a ciência do seu próprio conhecimento. Mas, lá na roça, onde morou e trabalhou até a adolescência, a tradição da família permitia apenas aos filhos homens o direito de ir à escola, pois, às mulheres da casa estava reservado o casamento, e, para tanto, o trabalho doméstico bastava. Terminou a entrevista dizendo, entre lágrimas e lamentos, que já não poderia mais pensar em estudar porque as doenças da idade não lhe permitiam.

Com relação aos homens não alfabetizados que tivemos contato durante a pesquisa, pudemos observar que este é um tema que, literalmente, não gostam de falar. Na pesquisa, o maior percentual de resistentes em falar sobre a sua não alfabetização, foi, disparado, entre os homens. De certa forma eles são menos cobrados socialmente por isto, pois, mesmo estando em condição de exclusão, assim como as mulheres não alfabetizadas, conseguem ascender socialmente mais do que elas. Exemplo disto é o número expressivo de homens não alfabetizados que possuem uma ocupação; alguns, inclusive, possuindo um negócio próprio ( na pesquisa encontramos um dono de estabelecimento comercial ). Não raro, por exemplo, vermos homens não alfabetizados ocupando cargos públicos como o de vereador e até prefeito. As mulheres geralmente iniciam ou intensificam o seu processo de participação social a partir ou juntamente com a alfabetização.

Para finalizar, não podíamos deixar de comentar um fato muito peculiar registrado por uma pesquisadora na vila Navegantes. Ao chegar na casa de uma família bastante pobre a pesquisadora passou a entrevistar os pais não alfabetizados. Durante a conversa a pesquisadora percebeu que o piso da casa chamava a atenção pelo seu padrão multicolorido e sua originalidade. Segundo a pesquisadora, parecia uma obra de arte. Percebendo a sua admiração e curiosidade pela origem do piso, a mulher explicou que nos fins de semana ela e o marido saiam pelas ruas da cidade procurando nos lixos das construções as sobras de cerâmica e lajotas que geralmente são jogados fora. Foi desta forma que o casal construiu o magnífico piso da sua casa. No dia em que ouvimos este relato da pesquisadora ficamos admirados e pensativos. Talvez, muitos de nós não imaginassem que em meio à pobreza e a falta de melhores perspectivas de vida houvesse espaço para a criação, a beleza e o otimismo.

 

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